Síndrome do Déficit de Natureza

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Tênis sem raquete, golfe sem taco, ski sem neve, criança sem natureza.. Afinal, isto é possível?

Algumas pesquisas relacionadas ao impacto do videogame sobre o condicionamento físico das crianças, demonstraram possíveis ganhos com relação a possibilidade de se exercitar e desenvolver habilidades ligadas à coordenação motora e raciocínio.

Se levarmos em consideração, os efeitos de um vídeogame em que as crianças permanecem sentados enquanto se envolvem com os seus “desafios”, e um outro, como os videogames interativos com sensor de movimento , em que são desafiadas a participar com movimentos do seu corpo, talvez possamos concluir que o segundo tipo é mais vantajoso. Entretanto, o que devemos levar em consideração?

– Qual a proposta temática dos jogos e a adequação da faixa etária?

– Qual a adequação do ambiente físico? De forma a não proporcionar problemas posturais e até acidentes durante a execução das tarefas; tendo em vista que, geralmente, são utilizados dentro de casa, junto a móveis e outros equipamentos.

– Como está o condicionamento físico e psicológico das crianças para lidar com as atividades?

– Qual o tempo de utilização dos games?

– E como não poderíamos deixar de questionar: qual a oportunidade que o seu filho teve de estar em contato com a natureza durante a semana?

Segundo Richard Louv, Jornalista, Co-fundador do movimento internacional Children and Nature Network e autor do livro A última criança na natureza, o Transtorno de Déficit de Natureza, não é um diagnóstico médico, mas um termo linguístico que descreve a desconexão com a natureza.

Para Louv, recentes pesquisas ligaram a falta de contato com a natureza na vida das pessoas à problemas físicos (como deficiência de vitamina D, obesidade, etc.) e mentais (depressão, hiperatividade e déficit de atenção). Para ele, soluções simples, como caminhadas em locais com árvores, brincadeiras ao ar livre, contato com hortinhas no quintal ou comunitárias, etc. são grandes oportunidades de conexão.

Recebi recentemente o cartão da mãe de P. , um menino de 5 anos. Fiquei feliz com o seu carinhoso agradecimento e reconhecimento do que, segundo ela, seria a “inserção formal” do seu filho no mundo digital. Ela disse saber da importância do correto e cuidadoso contato com os meios tecnológicos e compartilhava a gratificante percepção de que P. “tem a salutar curiosidade pelos eletrônicos, mas não troca um esporte ou brincadeira com os amigos pelo tablet, por exemplo.”

Isto reforça a tese de que uma educação que leve em consideração um correto equilíbrio de atividades, sempre favorecerá o crescimento e desenvolvimento da criança.

Num período em que as férias e os apelos comerciais do Natal estão batendo à nossa porta, opções de compra de vídeogames e outras tecnologias são bastante tentadoras.  Mas, lembre-se de que você é o maior presente para o seu filho, enteado, sobrinho, afilhado e todas as outras crianças sob o seu raio de atuação. Ofereça tecnologia, mas ofereça também outras oportunidades de diversão: caminhadas, leituras, jogos, desenho, pintura, visita à museus, parques, praia, pique-pega, etc.; ofereça a si mesmo, sua escuta, seu olhar, seu sorriso… Faça o seu filho, também, oferecer-se a si… Nada substitui a experiência de si.

A mãe de P. terminou o cartão desejando Feliz Natal e um ano novo maravilhoso.

Faço o mesmo com vocês, tendo a certeza de que, havendo equilíbrio na oferta de atividades, o Natal e as férias serão inesquecíveis!

Feliz Ano Novo!

Sugestão de leitura relacionado ao tema:

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(Foto do Post: Fox)

 

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